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...Seleção Brasileira
Que Dunga caia pela sua incompetência
Humberto Peroni

Eu tenho certeza que Dunga não tem a mínima condição de, atualmente, dirigir a seleção brasileira. Sou obrigado a dizer que foi uma tremenda irresponsabilidade da CBF colocar o ex-volante como treinador da seleção brasileira. Por isso, concordo com as inúmeras críticas que o neófito treinador vem recebendo.

O que eu não posso concordar é que qualquer motivo já seja uma razão para jogar pedras nele. Acho, por exemplo, que fazer a leitura labial de um técnico durante a partida é uma grande sacanagem. Ainda mais quando as possíveis falas do treinador são editadas e expõem o mesmo ao ridículo. Por mais que o nosso treinador seja despreparado, não dá para julgá-lo por frases colocadas fora do contexto.

Não acredito que ele não saiba que um jogador seja zagueiro ou meia da Argentina. O papo entre ele e o seu auxiliar Jorginho poderia ser da função tática que o adversário estava fazendo. Também é uma tamanha indiscrição colocar um comentário do treinador sobre um jogador, como fizeram em relação ao que Dunga teria dito sobre Júlio Baptista não poder fazer determinada função.

Também não posso concordar que o técnico fez a seleção jogar como um time pequeno contra o Paraguai só porque atuou com três volantes. O fato de uma equipe jogar com três atletas nessa posição não significa que atue de maneira defensiva. O mesmo acontece quando um treinador coloca cinco atacantes em campo. Não é porque um time tem cinco no ataque que vai fazer vários gols numa partida.

Voltando aos três volantes, é possível um time atuar assim e não ser taxado de pequeno. Tudo depende de você escalar os jogadores certos e saber posicionar os mesmos em campo --fato quase impossível para o pouco conhecimento do treinador Dunga.

Para jogar assim você precisa ter volantes que saibam atuar pelos lados do campo e que tenham velocidade. Também é necessário que os três volantes tenham um bom aproveitamento de passes e que, de preferência, saibam arrematar bem de média distância. Infelizmente, Josué, Mineiro e, principalmente, Gilberto Silva, não têm essas características. A ex-dupla de volantes do São Paulo aparece no ataque, mas mais pelo meio, raramente pelas laterais. Já o Gilberto Silva raramente passa da linha central e quando faz isso dá um passe perfeito no pé de algum adversário.

Na parte defensiva o esquema tem tudo para dar certo. O que nunca pode acontecer: os três volantes atuando sempre na mesma linha. Pois, se o adversário lançar a bola nas costas desses três jogadores vai pegar os zagueiros desprotegidos. O ideal nessa formação é que o volante mais centralizado fique mais perto dos zagueiros, pronto para fazer a cobertura deles. Os outros dois volantes ficam com a função de marcar os meias do adversário.

Também é importante o outro jogador de meio. Tem que ser um atleta que tenha uma arrancada boa, para receber a bola e partir rápido para o campo do ataque. O que não é característica de Diego, um meia que cadencia e organiza mais o jogo. O jogador ideal para a função é Kaká.

No lugar de explicar teoricamente é melhor citar um exemplo de como um time com três volantes não precisa necessariamente atuar com medo. Em 1994, atuando com três volantes --Amaral, César Sampaio e Mazinho--, o Palmeiras aplicou uma sonora goleada no Boca Jrs. por 6 a 1. Mesmo com os argentinos já usando as duas linhas de quatro jogadores na defesa --sistema que nos últimos anos se tornou um pesadelo para os times brasileiros em vários jogos decisivos na Taça Libertadores.

Dunga vai perder o cargo de treinador da seleção brasileira logo, mas espero que seja apenas por sua incompetência e não por uma campanha orquestrada contra ele, inclusive com várias distorções de fatos.

 
 
 
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