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. . . Carlos Moraes

Doa a quem doer  

Usar a sociedade brasileira como pano de fundo para armações e vantagens, tirando oportunidades em momentos impróprios e de dor de semelhantes, é uma das práticas mais abomináveis que se pode ver e definitivamente sujeita ao repúdio popular.  Não há mais um brasileiro nos Estados Unidos capaz de se permitir levar por histórias mal contadas, por oportunistas de plantão que se transformam dia-a-dia. Pessoas que se julgam acima do bem e do mal e que na verdade apenas usufruem do espaço concedido a outros. O tempo, conhecido como o conselheiro das pessoas em horas difíceis, é também o grande revelador do ostracismo e da falta de caráter de um sem-número de profissionais do mal-estar. Homens que se aproveitam do sofrimento alheio para trazer a seus escritórios oportunidades, dinheiro e status, mas, na maioria das vezes, nada fazem além de arrancar trocados e amealhar minutos de paz. A paz não vem por muito tempo. Muitos escritórios abertos e algumas organizações sem fins lucrativos devem se espelhar em exemplos dignos e não apenas no sucesso captado através das lágrimas de muitas famílias. Outrossim, casos de sucesso devem ser pesquisados pela sociedade e pela imprensa para que sejam dados os legítimos nomes aos bois - a César o que é de César. Famílias inteiras do sul do estado se dizem vítimas de empresários inescrupulosos que se aproveitaram da dor e do sofrimento quando elas tinham parentes ou amigos detidos em presídios americanos. E, segundo muitos deles, nem mesmo o dinheiro para o sabonete foi entregue a alguns detentos. Esses mesmos empresários foram citados em inúmeras oportunidades como prestadores de serviços, até como líderes, quando o que faziam era o inverso. Apenas tripudiavam da boa vontade, das lágrimas e do suor de dezenas de trabalhadores. Oportunistas, apenas oportunistas. Chegou a hora de a sociedade gritar um ‘basta’. Um ‘basta’ ao caráter sem escrúpulos, um ‘basta’ àqueles que apenas querem os louros, mas desconhecem o tamanho da dor, do choro de alguém que não sabe como será o dia seguinte sem o pai ao lado, sem o irmão para proteger.  O brasileiro é mais que tudo isso. É um povo ordeiro e trabalhador que na hora do sufoco sabe que precisa de socorro, mas nem sempre conhece onde alcançá-lo. A sociedade descobriu na imprensa o seu porta-voz e confia no que lê, no que ouve e no que vê. Por isso não podemos deixar esta página em branco. Há falsos líderes a caminho do ostracismo, há outros em busca da fama e há os que realmente nasceram para praticar o bem. Achar cada um desses é um dever da sociedade que não pode se permitir ser enganada. E à imprensa cabe dizer quem é quem. Doa a quem doer.  

Carlos Moraes

Editor

 
 
 
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