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. . . Stoughton

Policiais descobrem caixas da Mass Enterprises abandonadas em Stoughton

Carlos Moraes

A polícia de Stoughton estourou na terça-feira, 1, um depósito usado pela Mass Enterprises e descobriu mais de 50 caixas que deveriam ter sido enviadas para o Brasil e jamais deixaram o estado. O dono da empresa, que já decretou falência, Joe Edwards, acusa o ex-funcionário Carlos Maia, proprietário da Rio Maia Moving Express, de estar envolvido no escândalo e garante que tentou localizar os donos das caixas.

Dois policiais de Stoughton, Kevin Lima e Arlindo Romeiro, estão à frente das investigações e tentando localizar os proprietários das caixas que podem ser devolvidas mediante a apresentação do recibo de remessa emitido por uma das duas empresas.

Carlos Maia garante que não há ligação entre a Mass Enterprises e a Rio Maia e disse que no próximo dia 22 tem uma audiência na Corte de Marlboro para esclarecer sua participação na empresa de Edwards. "Eu era apenas um empregado e estou sendo acusado de responsável pelas caixas que ele não enviou. Não era o único Carlos da companhia", afirma ele. "Agora, jamais fui sócio do Joe. Nem lá e nem aqui na Rio Maia", disse.

Segundo a jornalista Shirley Farber, que foi chamada para contactar os brasileiros, ‘as caixas estão guardadas mas as pessoas estão com medo de falar com os policiais’. "Numa das caixas havia o número de um telefone celular, mas quando os policiais fizeram contato com a pessoa ela não confirmou que teria uma caixa em poder da Mass Enterprises", disse ela.

O envolvimento de Maia se agrava porque a polícia acredita que a maioria das caixas encontradas é da região de Marlboro, justamente a área onde a Rio Maia está instalada. "O papel do Joe que diz que a esposa dele é sócia da Rio Maia é falso", afirma Graziela Maia.

Ela é casada com Carlos Maia e disse que ‘gastou muito dinheiro nos últimos meses ajudando vítimas da Mass enterprises a recuperar suas caixas’, mas não soube explicar a razão pela qual esteve envolvida na recuperação das mercadorias.

O radialista Ilton Lisboa, um dos primeiros a denunciar o desaparecimento das caixas, afirma que ‘alguma coisa estranha há na história’. "Apresentei vítimas com notas no meu programa (Conexão Brasil, 650 AM, às quartas e quintas-feiras, das 19 às 20 horas) e ficou claro que há uma ligação entre as duas companhias."

Graziela disse que todos os pontos serão esclarecidos na audiência de seu marido na Corte. "Vamos provar as nossas verdades", afirmou.

Em entrevista concedida a este repórter em janeiro deste ano, Edwards garantiu que resolveria todos os problemas de suas remessas em 90 dias. Mas jamais conseguiu e a situação piorou com o acesso a fotos exclusivas de seu depósito em Volta Redonda , mostrando centenas de caixas abandonadas.

Os dois policiais de Stoughton falam português e atendem pelo telefone 781-344-2424.

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Ex-informante do ICE foge após golpe em banco

O Bank of America está procurando há 30 dias o cabeleireiro Gilberto Ferreira Costa que contraiu um empréstimo de mais de US$ 50 mil no banco, remeteu parceladamente o dinheiro para o Brasil durante quatro meses e fugiu do país. Amigos do brasileiro disseram que ele estava insatisfeito nos Estados Unidos porque estava sendo pressionado nos últimos anos a entregar ao ICE nomes de imigrantes indocumentados e de pessoas que falsificavam identidades e cartões do Social Security.

Segundo clientes do cabeleireiro, que atendia num salão de Allston, Costa nunca escondeu que para manter seu status imigratório legal nos Estados Unidos foi obrigado a ‘fazer um acordo com agentes do ICE para denunciar nomes de pessoas ilegais e de estelionatários envolvidos com fraudes de documentos’.

O A SEMANA teve acesso aos documentos de remessa de dinheiro, totalizando US$ 57 mil, feitas para uma conta-corrente do Banco do Brasil em Conselheiro Pena. Nos recibos, Costa escreveu à mão que parte do dinheiro era proveniente da Mesa da Fé, um golpe articulado em Massachusetts há dois anos pelo pastor Carlos Lima, também de Allston.

Pessoas ligadas ao cabeleireiro disseram ao A SEMANA que Costa foi informante do ICE por vários anos. "Ele entregava as pessoas para se manter livre. Ele havia sido preso numa operação da Imigração onde foi acusado de vender documentos falsos. E ele (Costa) sempre falou que estava solto e com a situação no país legalizada graças a este acordo", afirmou uma cliente do salão que pediu para não ser identificada.

Costa entregava os nomes das pessoas anualmente quando fazia a renovação de seu visto de trabalho. "Ele já estava meio saturado disso", disse a fonte ao A SEMANA. "Nunca concordei com o que ele fazia. Ele se beneficiava de informações que conseguia com brasileiros que sentavam na poltrona do salão para cortar os cabelos", continuou.

 

 
 
 
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