Irmãos querem voltar para o Brasil para escapar de trabalho pesado
Carlos Moraes
A expressão ‘Deus não dá asa a cobra’ parece sob medida para dois irmãos de Passos, Minas Gerais, que chegaram aos Estados Unidos há pouco mais de 30 dias. Eles vieram através de um programa de distribuição de visto de trabalho, pelo qual pagaram mais de US$ 14 mil, e agora querem ir embora do país, alegando que os trabalhos são ‘muito pesados’. Eles foram admitidos para trabalhar num parque da Califórnia, mas vieram para Boston por ‘falta de adaptação aos serviços’.
L.T. e C.T. desembarcaram em Massachusetts há duas semanas e conseguiram se hospedar na casa de um empresário brasileiro sem a necessidade se quer de pagar pelas vagas. "O dono da casa foi muito legal com eles, aceitando receber apenas a partir de 1º de julho", explicou uma amiga.
Mas os dois irmãos não querem ficar no país. Eles alegam que os trabalhos nos Estados Unidos são pesados e que ‘não querem isto’.
O dinheiro fácil é o caminho que eles provavelmente procuraram. Até para conceder entrevista ao A SEMANA eles queriam cobrar. "Eles não vão falar se não receber", disse outra pessoa ligada aos dois irmãos. Em tempo: o A SEMANA não aceitou pagar pela entrevista, baseando a reportagem em fatos narrados por pessoas ligadas aos dois mineiros.
"Um deles aceitou trabalhar um dia como lavador de pratos num restaurante brasileiro de Medford, mas em poucas horas de serviço inventou que estava passando mal e foi embora", conta um amigo de LT.
Mesmo com a dívida de US$ 14 mil contraída pela mãe, L.T. e C.T. tentam voltar para o Brasil nos próximos dias. Eles querem antecipar a passagem de volta com data marcada para setembro. "Vão voltar e ainda deixar a mãe com uma dívida de US$ 14 mil", explicou outra pessoa ligada aos irmãos.
Os programas de distribuição de vistos de trabalho para brasileiros estão sendo investigados pelo Homeland Security que acredita que possa estar havendo comércio de vistos no Brasil.
Imigração faz blitz em estrada de New Hampshire
Carlos Moraes
Agentes da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos realizaram uma blitz no sábado, 21, em New Hampshire próximo à localidade conhecida como Montanhas Brancas. Os guardas formaram um funil com cones e estreitaram a rodovia, permitindo apenas a passagem de um carro por vez. Todos os veículos com estrangeiros foram interceptados.
A batida aconteceu nas primeiras horas da manhã de sábado e prendeu inúmeros imigrantes que estavam visitando as cidades turísticas de New Hampshire e Maine. "Foi muito estranho. Eles pararam nosso carro e perguntaram para minha namorada de onde éramos. Ela é americana e nem se quer teve que mostrar a identidade. Mas eu, meu pai e meu irmão fomos obrigados a mostrar nossos passaportes", disse o turista goiano Daniel Santiago.
Segundo ele, os agentes falavam português e disseram ‘que fizeram aulas do idioma nos últimos meses’. "Quando minha namorada disse que nós éramos brasileiros, ele mandou encostar o carro e nos deu ‘bom dia’. Como estamos em situação regular no país, ele nos mandou embora", acrescentou Santiago.
Advogados de defesa de minoria pretendem questionar as autoridades do Homeland Security sobre a constitucionalidade de ‘batidas’ distantes das fronteiras.